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ventus_mortis
 

De como a pessoa consegue se superar...

Aí eu fui deitar às 22h, meu antigo sonho de consumo. E rolei, e virei pro lado, e tirei a camisola, e troquei de lado na cama, e li um livro inteirinho, e contei carneirinho até 4.247, e fiz uso de um instrumento de tortura que tenho em casa, a bicicleta ergométrica, pra ver se cansava e dormia de uma vez, e tive que tomar banho depois disso porque fiquei suada, e não dormi. E o fato de saber que a minha semana estava começando e que só acabaria na noite de sexta, na qual também trabalho, só me desesperava mais e fazia o sono fugir.
Mas o pior, a verdadeira tragédia não foi tudo isso. O que realmente me desesperava era o fato de eu não conseguir tirar a música do apê do latino da cabeça! Cheguei até a imaginar como seria a letra da música (?) no tempo de Machado de Assis (!): Hoje há uma confraternização na minha residência; poderás comparecer; haverá sarau e recital...

Ai, ai...não sei do que preciso mais, do bundalelê, da birita ou de sono... ou tudo junto, não necessariamente nessa ordem!

 Escrito por Proserpina às 09h48 [] [envie esta mensagem]



Bloco do EU sozinho

Dia desses passei os olhos por uma crônica do Jorge Furtado, publicada na (eca) Zero Hora e fiquei muito espantada com o "contiúdo" da mesma. O cara criticava a "nova onda" dos blogs falando sobre nada que rolam por aí. Entre outras coisas ele disse que é um ultraqe ter de ler coisas do tipo "Hoje acordei e fiz nescau" ou "Hoje fui ao shopping comprar um jeans" etc. E recomenda que se não se tem nada pra escrever, não se escreva, por respeito ao leitor virtual. E que, por favor, não maltrate a língua portuguesa com auquela linguagem que ninguém entende, só quem fica pendurado em bate-papo por aí.

Pra mim, o cara fez uma grande bobagem. Só legitimou uma visão elitista da língua, em que só pode fazer uso dela quem tem algo útil pra dizer(pra ele, que é O cara, claro), saiba todas as regras de regência, de ortografia, de sintaxe e não ofenda a senhora Gramática usando a sua filha problema, Semântica, à toa.

Pois hoje, senhor Jorge Furtado, eu acordei e não fiz nescau. Tomei coca-cola, o que não te interessa. E quer saber o que eu cantava? (Vamo lá, todo mundo!):

Eu queria tanto encontrar

Uma pessoa como eu

A quem eu possa confessar

Alguma coisa sobre mim!

(Boa e velha Graforréia)



 Escrito por Proserpina às 16h16 [] [envie esta mensagem]




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