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dulce sueño
Quando eu tinha treze anos, na copa de 90, me apaixonei perdidamente pelo querido aí da foto. Virei a casaca, vibrei com o gol que eliminou o Brasil e tracei meu caso de amor com a Argentina. Comecei a estudar espanhol feito louca pra poder escrever pra ele, coisa que acabou não acontecendo, mas, enfim, devo a ele o click inicial que me fez olhar para a américa latina e sua literatura. Podia ficar a vida inteira lendo Stephen King, mas para "treinar" o espanhol comecei a buscar literatura em língua espanhola. Aí a paixão aumentou e se tornou um dos meus motores de vida.
Viu só? Futebol também é cultura,ou pode levar à.
Ah, tá, a pertinência de eu ter contado tudo isso. Saiu hoje que ele vai se aposentar, com 38 aninhos. Vai me encontrar na flor da idade e entendendo tudo que ele queira me sussurrar no ouvido. Que me aguarde!
Escrito por Proserpina às 17h31
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Xô, Satanás!
Pronto, pronto, já passou...
Na real, escrevi o post anterior de puro desespero porque simplesmente não encontrei ninguém adequado para falar sem me chamar de coitadinha ou desprezar o que eu estava sentindo. (Tá certo que botar na rede também é foda, mas...). Agora já me recuperei e fiz um diagnóstico frio e distante das emoções daquele dia, aliado à descoberta de que o médico que queria me operar já matou duas professoras de Gravataí.
Cheguei no consultório dele com a idéia de colocar o tal de balão, que é por seis meses e indicado pra quem não precisa perder duas pessoas dentro de si. O cara descartou dizendo que era perda de tempo, que meu negócio era a cirurgia. Eu disse que não queria fazer a do último grau, que corta estômago e intestino, por ser muito radical e por achar que ainda não era meu caso, além do que eu não queria tomar complemento a vida toda. Ele respondeu dizendo que era só a que ele fazia, me encaminhou para os exames e tchau e benção. Ele sequer perguntou se eu tinha feito algum tipo de tratamento, e quais, se eu tinha problema de tiróide, há quanto tempo eu estava acima do peso, enfim, pra ele eu era apenas um estômago a ser cortado e não uma pessoa com um histórico de vida, com expectativas e angústias.
Pois não vai levar. O que ele fez foi me fazer criar vergonha na cara e procurar um encocrino, coisa que nunca fiz, e fazer as pazes com a minha bicicleta ergométrica.
Palmas pra mim, grana de menos pra ele.
Escrito por Proserpina às 17h21
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Era do medo
Agora meu problema não é mais com o trabalho, já estou mais segura e até marcando opinião, sem medo nem culpa, como deve ser. E estou com saudade desse medo...
Sempre fui uma "gordinha simpática", às vezes mais simpática que gordinha, mas o jogo virou e estou sendo vista como uma calamidade pública pelo meu médico. Ele quer que eu faça a tal da cirurgia no estômago e me encaminhou pra um monte de exames nada agradáveis pra ver se tenho condições de fazer a cirurgia. Hoje foi o dia do sangue (retirados em sete longos tubinhos) e da ecografia de abdômem. Grandes descobertas para a humanidade: quando fiz cesariana me tiraram o ovário esquerdo por causa de um cisto ( e eu só sabia que tinham tirado o cisto e não o conjunto da obra), agora eu tenho outro no ovário direito, com 5 centímetros, além de pedras na vesícula e fígado aumentado. Cheguei a perguntar se pra beber não ia nada, já que tive tantas revelações assim, bem preparada psicologicamente. Aí o examinador, mergulhado num poço de sensibilidade, me disse: ih, olha só: abriu a cicatriz da tua cesárea, tá saindo muito sangue!
Fiquei lá embaixo, isso que ainda falta um monte de exame pra fazer...
Vou assistir o remake da escrava isaura que é mais light...
beijos desanimados.
Escrito por Proserpina às 19h19
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de como o sono pode ser um inimigo... (ou a falta de)
aí minhas férias passaram, aí o fórum passou (e eu não encontrei nem o Grubert, nem a Lady Dark, mas encontrei um montão de gente que estava com saudades também, e até quem eu não estava), aí o carnaval passou e eu viajei para a praia de sempre e num piscar de olhos já estava em casa (e parece que faz muuito tempo), e tudo vem passando, até mais velha eu já fiquei. Só esta noite que não passa...
Conforme contei ligeirinho, fui chamada para o outro lado do rio, ou para a luz, ou para aquela turma que não tem mais nada o que fazer do que pegar no pé de pobres professores que mandam seus alunos fazerem cópias inocentes de gramáticas e enciclopédias carcormidas. E querem saber? Estou um tanto quanto assustada com essa história toda. Todo mundo é legal e sorridente mas também é macaco velho, e eu lá sem saber onde fica o banheiro de fazer cocô (pois, pasmem, o único banheiro que sei onde fica na smed tem um cartazão dizendo que ali é só pra fazer xixi). Na última reunião, e tem uma todo santo dia, caiu uma enorme ficha na minha cabeça, eu que estava tão feliz com a sala de aula, cheguei a anunciar que talvez não voltasse do carnaval, mas vou voltar, daqui a poucas horas e não consigo dormir. Vão pensar que, além de querer pestear a secretaria com o meu cocô, eu sou uma caranavalesca nata, que aproveitei toda semana para chegar com a cara que eu vou chegar.
O medo é foda. E não posso nem dizer que amanhã será outro dia porque ele já chegou.
Tá eu confesso, não consigo dormir também porque acabei de ler o ensaio sobre a lucidez. Serei lúcida até quando?
Escrito por Proserpina às 03h41
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